Todo mundo fala sobre se encontrar.
Sobre autoconhecimento.
Sobre reconstrução.
Mas ninguém fala dos corpos deixados pelo caminho.
—
Pra construir um abrigo em mim,
usei tijolos que não eram meus.
Peguei pedaços de gente.
Deixei gente pelo caminho também.
Cada vínculo que desfez
virou concreto.
Cada ausência que suportei
virou parede.
Hoje,
o chão onde piso foi feito de quem me amou e partiu.
De quem ficou e eu não soube cuidar.
De quem me quis e eu não consegui querer.
—
O reflexo que vejo no espelho
é feito de vidro rachado.
De partes que não voltam.
De memórias que ainda sangram.
Nunca foi sobre reconstruir.
Foi sobre aceitar
que pra levantar algo em mim
muita coisa teve que cair.
